• Centro de Preservação da Memória

Noel Nascimento

Nascido em Ponta Grossa, Noel Nascimento (1925-2013) ingressou no Ministério Público do Paraná em 1949 como Promotor Interino na Comarca de Rolândia, atuando em várias cidades do interior paranaense ao longo de sua carreira.

Noel passou a integrar a Academia Paranaense de Letras em 23 de maio de 1979. Autor de diversos ensaios, poemas e textos literários, em 1995 Noel Nascimento ganhou o Concurso Nacional de Romances promovido pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná com o livro "Arcabuzes".

No dia 6 de abril de 2005, o Procurador de Justiça aposentado e integrante da Comissão do Memorial do MPPR lançou três livros: “A Revolução do Brasil”, “A Nova Civilização” e “Contos Fantásticos”. Neste último, o autor apresenta personagens que se tornam fantasmas na nossa realidade, como a Loura, que simboliza a sociedade assolada pela epidemia, ardendo em febre consumista, e passagens como o funeral da ditadura no "Conto da Figueira", e de heróis, isto é, fantasmas mortificados em Otavinho, João Bodoque, Juca, o Caminhoneiro e O Morcego, além do histórico João Maria, personagem que há mais de um século é venerado.

A seguir estão relacionadas algumas de suas obras:

 

 

O romance "Arcabuzes" esclarece a história, a realidade social brasileira em movimento. A Pátria nascida em luta contra o colonialismo, a revolução das massas urbanas em busca da Independência, da Abolição e da República.

Como consequência destas duas últimas, revela a guerra civil com a qual a contra-revolução envolveu o país. Forças legalistas e forças rebeldes travaram batalhas, verdadeiras chacinas de combatentes, de prisioneiros e, quando vitoriosas, caçavam os adversários políticos para degolá-los.

É, por excelência, o Romance Épico do Brasil. Conta os fatos decisivos na formação do Brasil, partindo do ponto de vista do povo, personagem principal da História. Tendo como cenário os 3 Estados do Sul do Brasil, o leitor tem diante de si um livro que tenta decifrar o Brasil real na transição da Monarquia para a República.

Afinal, deflagradas as lutas, a morte faz a colheita dos ódios plantados pelo poder.


A obra é uma contribuição para a interpretação de nossa história, encarada como realidade social em movimento. O livro apresenta uma radiografia dos conflitos armados no país no final do século XIX . O autor percebe no messianismo do Contestado o caráter de luta camponesa, e na revolta dos maragatos unida à rebelião da marinha uma revolução antifederalista, que buscava a separação da parte do território brasileiro.

Resultado de vinte anos de estudos, a obra tem por objetivo preservar a memória nacional, demonstrando como aconteceram os fatos históricos mais importantes no Estado do Paraná.
 

 

Casa Verde é o romance que revela o Contestado como a grande guerra camponesa do Brasil, ocorrida no início do século passado na região disputada pela Argentina e a antiga questão de fronteiras entre Paraná e Santa Catarina.

Monges recebidos e seguidos como santos pelos camponeses, em maioria pobres, pregavam e conduziam-nos à luta contra a opressão do coronelismo, das oligarquias e das companhias estrangeiras, luta pela terra e a implantação de uma monarquia que lhes garantisse os direitos. Essa Guerra tomou enormes proporções e nela se envolveram cerca de dois terços do Exército Nacional, tropas policiais do Paraná e Santa Catarina, forças de capangas a serviço das companhias estrangeiras e das oligarquias regionais.

Casa Verde esclarece que a essência da grande guerra camponesa no Contestado é a luta pela terra, e o chamado messianismo nada mais de que consequência da miséria no latifúndio.

Noel Nascimento definiu sua obra "A Nova Civilização" como um romance combativo, de reflexão, idealista e social. A obra apresenta uma narrativa singela. O enredo da cidade alteada em colinas aponta para uma nova civilização do terceiro milênio. Os personagens da obra, segundo Noel, “são como pessoas reais, às quais assisti em plêiade construírem a nova civilização". A obra apresenta uma valorização da vida e da natureza, vindo também ressaltar a importância do lar, da escola, da educação na infância, adolescência e juventude, e a evolução da pessoa.

O autor preconiza nessa obra o porvir feliz e de paz fundamentado em novo humanismo de fortes raízes no Brasil. Nessa obra, Noel consuma a interpretação que faz da alma de um povo cordial, miscigenado por raças boas e fortes. O romance nos conduz ao mundo interior das intuições e ideias, no qual os ideais são de sentimentos coordenados e aprovados pela razão.

 

A nova estética & O novo período literário

 

"Existe uma crise que abarca todos os aspectos da realidade atual. As crenças parecem ter falido e até mesmo carecem de fundamentos, com os homens mantendo posições irreconciliáveis como se houvessem nascido inimigos uns dos outros e os acontecimentos desmentindo as previsões otimistas e a idéia racional do progresso e da felicidade.

(...)

Procuro ser intérprete de um pensamento brasileiro que aprendi com todos aqueles com os quais convivi e que fizeram parte do meu mundo, que tanto amo, e aos quais dedico esta obra. É deles o meu ideal.

Esta filosofia tem por objeto o homem e discorda de doutrinas que o encaram sob um só prisma, e subordina à razão as forças da economia, do solo ou do sangue. Aceita as verdades científicas, porém não perde o caráter especulativo, abrindo perspectivas. Para revelá-la se faz necessária a crítica do que existe, das idéias de outras filosofias, tanto no interesse da verdade como porque influem na vida social, moral e política."

 

 


* Várias obras de Noel Nascimento podem ser vislumbradas no site www.astrovates.com.br.

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